domingo, 17 de abril de 2011

Porque me doem tanto as dores do meu País?

Damos por nós a fazer de conta que "não é nada", tal como quem diz aos filhos "isso já passa", quando, na verdade, o nosso íntimo parece que "jaz morto e arrefece" (como dizia o Pessoa do Menino de sua mãe). E, erguida a cabeça, sorrimos, de olhos em alvo e alma nublada pelo "por acontecer". E almejamos pelo momento em que, lá em casa (ou seja lá onde for!) todos já tenham adormecido para nos podermos quedar sinceros, por um átimo do tempo, perante nós próprios... Não gostamos do que vemos. Ninguém pode gostar. As rugas ensombram a fronte... Os pensamentos ganham a força de um tsunami e arrasam tudo... Poderemos sobreviver?... É então que, olhando de soslaio a rua, pela nesga da janela, vemos a calma apetecida. Olhamos o céu e miramos as estrelas, uma a uma, procurando descortinar a que nos há-de proteger. Sim. Estamos vivos. Sim. Temos sonhos. Estão ajaezados de dejectos esquálidos e lazarentos mas... podemos erguê-los. Alguém sempre escuta quando alguém sempre quer dizer o indizível. E esse, o tal... e essa, a tal... hão-de ser a mão que nos ergue, o rosto que nos sorri, a voz que nos consola... E, assim, a força renasce. Amanhã... há-de ser Novo Dia.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010